Festival Y#18

Festival Y#18

O que nos leva a assistir a um espetáculo? E o que nos impede?

Estas estão entre as perguntas que nos acompanham no desenho e produção do Festival Y, e a cada edição, parece-nos vislumbrar linhas de respostas possíveis. Há 18 edições que procuramos destrinçar estas linhas na construção de um festival para os públicos da beira interior, atento à criação artística e aos mundos contemporâneos, com um olhar no que foi e muitas perguntas ao que virá.

A irreverência que defendemos para o Y, assume especial sentido nesta 18ª edição. Um número que nos impele a uma liberdade, entusiasmo, ímpeto, fluidez, que contrastam com os inquietantes acontecimentos mundiais e com as limitações tantas vezes bloqueadoras das circunstâncias que nos envolvem.

Neste difícil contexto, propomos um programa de espetáculos transdisciplinar que nos indaga e confronta com questões iminentes e que, em simultâneo, propõe outras dimensões de existência possíveis.

Com Dada Garbeck, Costanza Givone, Inês Campos, David Marques, Denis Santacana e Raquel Castro, levamos este Y à Covilhã e a Castelo Branco. E também a Bilbao, através do projeto de internacionalização “Do outro lado / Al otro lado” que nos traz Denis Santacana e leva Ana Jezabel à La Fundición.

Com o Y PÚBLICOS, prosseguimos um trabalho que nos é fundamental de envolvimento dos públicos para e com as artes contemporâneas.

Voltamos às perguntas, “o que nos leva a assistir a um espetáculo e o que nos impede?”, nem todos/as temos o tempo, a oportunidade ou o privilégio para as fazer. Por isso, desejamos contar convosco para partilhar este Y#18 e virem celebrar os 20 anos de atividade da Quarta Parede.

Programa

Dada Garbeck accordion-plus accordion-minus

The Ever Coming - Cosmophonia 

13.abr. 21h30 . Teatro Municipal da Covilhã

 

Se pudéssemos desenhar a Cosmophonia proposta por Dada Garbeck, é possível que coincidisse com o padrão do tecido do cosmos. A música, curiosamente, parece ser simultaneamente a causa e o efeito de tudo, parece tecer os nós essenciais e invisíveis do mundo, ao mesmo tempo que é a sua manifestação, como se um criador criasse a criatura que o cria a ele. Uma ideia de Cosmophonia é a possibilidade de, ao ouvir, criar. Afonso Cruz

 

Sintetizadores e voz Dada Garbeck | Voz Alexandra Saldanha e Filipa Torres | Saxofone Alto João Mortágua | Trompete Pedro Jerónimo | Baixo Nuno Duarte | Bateria Pedro Gonçalves Oliveira

 

60 min . M/6 . música

Constanza Givone accordion-plus accordion-minus

Fogo Lento 

28.abr. 21h30 . Auditório Teatro das Beiras . Covilhã

 

Foi da vontade de investigar as camadas de histórias dos hábitos culinários do dia-a-dia que surgiu este espetáculo. Há um jantar para ser preparado, há uma mulher italiana e um homem português, há uma mesa e há conceitos como identidade ou tradição que precisam de ser descascados e cozinhados em lume brando para se apurar o seu sentido. Um trabalho performativo onde o público é envolvido na ação cénica, até, no final, ser convidado a cozinhar e comer os pratos preparados durante o espetáculo.

 

Direção artística Costanza Givone | Cocriação e interpretação Ricardo Vaz Trindade e Costanza Givone | Apoio dramatúrgico Raquel S. | Desenho de luz Francisco Campos | Direção técnica Mariana Figueroa | Carpintaria Armindo Sá | Vídeo e design gráfico João Vladimiro | Fotografias Susana Neves / FIMP | Coprodução Comédias do Minho, Teatro Municipal do Porto e FIMP - Festival Internacional de Marionetas do Porto | Produção Fogo Lento - Associação Cultural

 

80 min . M/6 . teatro/performance

 

Inês Campos accordion-plus accordion-minus

Coexistimos

04.mai. 21h30 . Auditório Teatro das Beiras . Covilhã

 

Coexistimos é uma colagem de metáforas sobre o desafio de ser só um e querer ser tantos. Ser o tigre e o domador, um palhaço triste e um ataque de riso, viver vários corpos, querer ser a realidade dos seus sonhos. Passar por estados temporários e estar presente em cada um deles. Exprime a crença de que as artes são promíscuas e gostam da companhia umas das outras. Tem dança, teatro, cinema, manipulação de objetos e artifícios variados que tentam criar uma sucessão de ilusões.

 

Concepção e interpretação Inês Campos | Sonoplastia Filipe Fernandes, João Grilo e Inês Campos | Desenho de luz e operação Mariana Figueroa e Inês Campos | Adereços e cenografia Inês Campos, Mariana Figueroa e Marta Figueroa | Aconselhamento artístico Pietro Romani | Produção executiva Eira - Dança Contemporânea e Performances | Apoio financeiro Teatro Municipal do Porto | Residências Teatro do Campo Alegre, Companhia Instável, Högskolan för scen och musik Gothenburg, Teatro de Ferro, deVIR CAPa, Free Flow e Bando dos Gambozinos | Fotografia promocional Raphaël Decoster

 

40 min . M/6 . dança/teatro/manipulação de objetos

Tiago Cadete accordion-plus accordion-minus

Atlântico

18.mai. 21h30 . Teatro Municipal da Guarda 

 

Atlântico parte de uma viagem de Cruzeiro de Portugal em direção ao Brasil, percurso outrora desconhecido pelos portugueses, transformado nos dias de hoje em rota de férias. Turistas viajam pelo mesmo caminho que já foi trânsito de corpos escravizados ou de marinheiros obrigados a sair do seu país para explorar esse denominado “Novo Mundo”. Esse oceano também é lugar de fábulas e monstros, desafios e superações. Que novo Atlântico é esse e que memórias traz quando passamos por ele?

 

Criação, interpretação e vídeo Tiago Cadete | Música Bruno Pernadas | Luz Rui Monteiro Figurino Carlota Lagido | Apoio dramaturgia Bernardo de Almeida | Voz off Leonor Cabral | Direção técnica Nuno Patinho | Assessoria de imprensa Mafalda Simões | Produtora Ana Lobato | Fotografias Miguel Ribeiro Fernandes | Produção Co-pacabana | Coprodução Teatro Nacional D.Maria II, Teatro Municipal de Faro e Festival Citemor | Parceria Antena 3

 

60 min . M/12 . teatro

David Marques accordion-plus accordion-minus

Dança Sem Vergonha 

25.mai. 21h30 . Teatro Municipal da Covilhã

 

A minha “dança sem vergonha” talvez exista apenas no teatro e só seja possível pelo cruzamento de vários espaços, tempos e motivações: o quarto que associo ao tempo da infância, a discoteca que associo ao tempo da adolescência e o estúdio que associo à idade adulta. Ao teatro associo o tempo do presente, durante uma performance, de ambos espectadores e intérpretes. Dançada por mim esta dança-sensação é imediata e refletida, simples e complexa, referencial e naïf, abstrata e simbólica, séria e divertida, íntima e partilhada, técnica e despreparada.

 

Criado e dançado por David Marques | DJ set ao vivo Joe Delon | Espaço Tiago Cadete | Vídeo Diogo Brito | Figurino Tiago Loureiro | Olhar exterior Patrícia Milheiro | Direção técnica Gonçalo Alegria | Residências Estúdios Victor Córdon e EIRA/Teatro da Voz | Gestão e administração Vítor Alves Brotas | Produção PARCA com AGÊNCIA 25 | Coprodução PARCA e EIRA/ Festival Cumplicidades | Apoio Curtas de Dança 2019 - Festival DDD Dias de Dança (para o desenvolvimento do vídeo) e Self-Mistake - Bolsa de Experimentação | Fotografia promocional Ágata Xavier

 

70 min . M/6 . dança

Denis Santacana accordion-plus accordion-minus

Denis Santacana

Integrado no projeto Do outro lado/Al otro lado com La Fundición-Bilbao

03.jun. 21h30 . Auditório Teatro das Beiras . Covilhã

 

Perdido entre as pessoas observo o desenho ramificado que ficou a meus pés. Encho o meu copo e olho para trás no reflexo. Imagino uma realidade paralela na qual esta figura desta vez tomou uma decisão diferente. Disfarçadamente, derramo o líquido e o desenho muda novamente. Desfaço mentalmente todos os meus movimentos, obcecado pela ideia de que cada pequena ação, cada decisão, cada encontro, possa ser o começo de um sem fim de caminhos. Baixo o copo e observo-me no mesmo ponto de partida. Qual é a decisão certa? Talvez seja o momento de deixar-se levar pela maré.

 

Direção Denis Santacana | Coreografia Denis Santacana e Victor Fernández | Intérpretes Denis Santacana e Víctor Fernández | Música original Víctor Guadiana | Iluminação Sergio Dominguez

 

55 min . M/6 . dança

Raquel Castro accordion-plus accordion-minus

Turma de 95   

15.jun. 21h30 . Teatro Municipal da Covilhã

17.jun. 21h30 . Fábrica da Criatividade . Castelo Branco

 

Em Turma de 95, uma trivial fotografia escolar de grupo de há 25 anos funciona dramaturgicamente como uma poderosa máquina do tempo. Apropriando-se de Class of 76, de Alex Kelly, o fundador dos Third Angel, Raquel Castro revisita e questiona a sua adolescência e a dos seus colegas de turma ao cruzar memórias do passado e a realidade do presente. Partindo de entrevistas prévias e de uma convenção de teatro documental, a encenadora constrói em Turma de 95 um retrato pessoal de uma geração a braços com as expectativas e dores da adolescência, num Portugal em tempo de expansão económica e de abertura à Europa.

 

a partir do espetáculo Class of 76, de Third Angel | Criação e interpretação Raquel Castro | Apoio à dramaturgia Alexander Kelly | Direção de produção na criação original Vítor Alves Brotas - Agência 25 | Desenho de luz Daniel Worm | Apoio técnico João Gambino | Direção técnica em digressão Tiago Coelho - Ficha Tripla | Fotografias de cena Bruno Simão | Residência O Espaço do Tempo e Pólo Cultural das Gaivotas

 

70 min . M/12 . teatro

 

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