Festival Y#8

Festival Y#8

Num ano particularmente difícil para a cultura, tanto em Portugal como no mundo, a Quarta Parede apresenta um programa para o Festival Y#08 – festival de artes performativas que reforça o esforço dos anos anteriores de trazer à região nomes significativos da arte contemporânea, e ao mesmo tempo de se renovar no que concerne à apresentação de criadores que estarão pela primeira vez no Festival. Os criadores que estarão pela primeira vez no Y são: Macarena Recuerda Shepherd, Antonio Tagliarini e o Teatro Necessario, nos estrangeiros; e Clara Andermatt, António Júlio, David Marques, Circolando e o coletivo Tumbala entre os portugueses.

Ao mesmo tempo, a Quarta Parede apresentará dois trabalhos distintos que refletem também o crescimento moderado mas consistente que a estrutura vai adquirindo.  É com esta vontade de remar contra os ventos adversos que sopram que esperamos encontrar um público motivado pelas diversas propostas e que preenchem um espaço transdisciplinar alargado nas artes performativas.

Rui Sena, diretor artístico

Programa

Tumbala accordion-plus accordion-minus

17.set. 21h30 . Jardim Público . Covilhã

 

Nova performance musical com máquinas de cena. Máquinas de percussão em tubos de PVC e instrumentos de sopro. Música latin funk, em formato de fanfarra ambulante. Um grupo de oito personagens fantásticos armados com máquinas estrambólicos assalta as ruas com uma performance musical, de interação com o público, espalhando a desordem, a alegria e a festa.

 

Criador Paulo Morais | Direção musical Hugo Menezes e Johannes Krieger | Músicos Hugo Menezes, Monica Rocha, Paulo Morais, João Abreu, Diogo Carvalho, Johannes Krieger, Eduardo Lala e Francisco Andrade | Figurinos Susana Pires e Blue | Designer gráfico Carlos Coutinho | Construção das máquinas Leonel e Bicho Lda, João Sofio, Tiago Frois, Paulo Morais e Mathieu Crespin

 

60 min. M/6 . performance musical

Circolando accordion-plus accordion-minus

Charanga

18.set. 21h30 . Praça 5 de Outubro . Torres Novas

 

Espetáculo poético e visual, Charanga parte de dois objetos simbólicos, a bicicleta e a fanfarra. Parte das entranhas da terra para desejar os elementos ali ausentes: luz, ar, viagem… . Procura a solidão, a nostalgia dos mineiros e inventa para eles um sonho de criança. Um sonho de fuga e evasão em círculos de um carrossel. Um sonho que se conta com música. A música de uma pequena filarmónica de sopros. Histórias de um antes de ali chegarem que o que abre o espetáculo transpõe para a tela. O espaço de sonho tem a forma de um círculo. Um círculo de terra com uma enigmática peça de ferro ao centro. Antes, houve uma vida dentro da terra fria e longas viagens por estradas sem fim.

 

Direção artística André Braga e Cláudia Figueiredo | Interpretação André Braga, Bruno Martelo, Hugo Almeida, João Vladimiro, Patrick Murys e Pedro Amaro | Direção André Braga | Dramaturgia Cláudia Figueiredo | Composição musical Alfredo Teixeira | Direção plástica João Calixto | Coordenação técnica Cristóvão Cunha |Direção de cena Ana Carvalhosa | Construção da cenografia e objetos de Circolando e Tudo Faço/Américo Castanheira | Cena concepção de sistema de iluminação Anatol Waschke | Manutenção Nuno Guedes e Hugo Almeida | Realização vídeo João Vladimiro com colaboração de Ana Carvalhosa | Montagem vídeo Ana Carvalhosa e João Vladimiro | Câmara João Vladimiro | Segunda Câmara Duarte Costa | Produção Ana Carvalhosa (direção) e Cláudia Santos | Design gráfico João Vladimiro | Fotografias Duarte Costa, Frederico Lobo e Márcia Lessa/A Oficina | Criação em residência de Teatro Viriato | Apoios IEFP/Cace Cultural do Porto, Universidade Católica Portuguesa e Light Box | Produção executiva Corropio 

 

40 min. todas as idades . teatro físico/músico

Patrícia Portela accordion-plus accordion-minus

Audiomenus

7, 8 e 9.out. Covilhã . vários locais

 

Uma série de peças radiofónicas para ouvir à hora do almoço ou na hora do café em frente a uma refeição ou aperitivo. Juntamente com o seu pedido gastronómico e em troca de um B.I. deixado no balcão, o cliente leva para a mesa uma história (15min aprox), escolhida a partir de um menu: histórias para a auto-estima, histórias contra o patrão, cartas de amor exclusivas, uma novela de “faca e alguidar”, um conto erótico, a descrição de uma paisagem impressionista, histórias para dois, histórias a três com muita paixão e traição, histórias para toda a família, ou simples e pequenos excertos de obras de autores da língua portuguesa, haikus lusitanos, versões de grandes tragédias teatrais em formato fast-food, episódios inesquecíveis da história de Portugal, discursos políticos em formato dj’, etc.

 

Vozes Tonan Quito, Inês Nogueira, Pedro Pires, Eva Nunes, Célia Fechas, entre outros | Textos originais Patrícia Portela | Seleção de textos Isabel Garcez e Patrícia Portela | Pós-produção / Grafismo Irmã Lúcia Efeitos Especiais | Produção executiva Conceição Narciso | Produção Prado Produtores e Associados ZDB - Galeria Zé dos Bois | Coprodução Maria Matos | Apoio logístico Restart Sponsor Antennaudio 

Companhia Clara Andermatt accordion-plus accordion-minus

Void elétrico

9.out. 21h30 . Teatro Virgínia . Torres Novas

 

Tudo remonta há 10 anos atrás. Mas “passa-se aqui e agora: Em Portugal, Cabo Verde, Portugal…”, pontos de partida para a criação de uma peça que tem como pano de fundo o encontro de culturas.  O espetáculo VOID estreou em 2009, a convite da Mostra Internacional de Teatro de Oeiras e foi considerado pela crítica como um dos melhores do ano.  Esta nova versão, VOID eléctrico, conta com mais um intérprete e cúmplice nesta história de encontros - Kabum. Tem mais músicas, mais electricidade, mais memórias… algumas das quais são momentos inesquecíveis de DAN DAU, espetáculo estreado pela Companhia Clara Andermatt há 10 anos atrás. 

Uma peça sobre pessoas, feita de experiências e de saudade. Inspirada, nas tristezas, nas dificuldades, nos benefícios de uma década de crescimento de dois cabo-verdianos em Portugal. Repleta de poesia, de ritmo e língua crioula. Por vezes triste, por vezes cómica, filosófica ou pragmática, como Sócrates e Avelino. Um universo coreográfico, teatral e musical muito pessoal, que nasce do diálogo real e constante de duas culturas no dia-a-dia de Lisboa. 

 

Concepção e direção Clara Andermatt | Direção musical João Lucas e Clara Andermatt | Criação musical João Lucas, Avelino Chantre, Sócrates Napoleão e Domingos Sá (Kabum) / Sodade | Música de Luís Morais, letra de Amândio Cabral e arranjos de João Lucas | Textos Avelino Chantre e Sócrates Napoleão | Interpretação Avelino Chantre e Sócrates Napoleão Kabum | Figurinos Aleksandar Protic | Desenho de luz e direção técnica Anatol Waschke | | Operação de luz João Chicó | Operação de som Albrecht Loops | Produção executiva ACCCA | Coprodução VOID elétrico, Centro de Criação para o Teatro e Artes de Rua e Fundação Centro Cultural de Belém | Coprodução VOID Versão original Mito - Mostra Internacional de Teatro de Oeiras e ACCCA 

 

70 min. M/6 . dança/música

Sónia Baptista accordion-plus accordion-minus

Vice-Royale. Vain-Royale. Vile-Royale

14.out. 21h30 . Teatro Municipal da Guarda

 

Vice-Royale. Vain-Royale. Vile-Royale é um tríptico. Uma performance que convoca as linguagens conceptuais e emocionais da dança, do cinema, da música e da poesia. Um espetáculo que apresenta e representa três personagens femininas deslocadas e desditosas numa sugestão de terras e tempos distantes.

 

Direção, concepção e textos Sónia Baptista | Filme e vídeo Rui Ribeiro | Colaboração Jorge Gomes e Micaela Fonseca | Música original Alex Alves Tolkmitt | Desenho de luz Pedro Machado | Intérpretes Sónia Baptista e Rogério Nuno Costa | Designer Nuno Coelho | Figurinos e adereços Sónia Baptista | Fotografia Jorge Gomes | Produção executiva João Lemos | Produção Prado | Coprodução Culturgest (PT) e Buda (BE) |  Apoios WpZimmer (BE), O Espaço do Tempo, Kodak e Crice, | Projeto financiado por Direção-Geral das Artes, Ministério da Cultura

 

70 min. M/12 . performance

Quarta Parede accordion-plus accordion-minus

Gota a gota

20 a 23.out. Auditório Teatro das Beiras . Covilhã

 

A Água em toda a dimensão, mesmo nos seus mais imperceptíveis movimentos - líquido, sólido, gasoso - é o grande leitmotiv de “Gota a gota”, espetáculo dirigido ao público em geral que usa a linguagem do teatro visual, do cinema de animação e da sonoplastia. O ciclo da água é íntimo da vida, estabelece uma harmonia entre a natureza e o ser humano, harmonia esta que foi deturpada pela sua progressiva mecanização. “Gota a gota” parte da Água no seu sentido mais lato - somos água rodeada de água - pretendendo chegar ao que representa a Água atualmente - energia, exploração, escassez, secas, inundações, contaminação, desperdício. Gota a gota se vive, gota a gota se transforma, gota a gota se contamina.

 

Criação, direção e espaço cénico Rui Sena e Sílvia Ferreira | Interpretação Maria Belo Costa e Sílvia Ferreira | Espaço sonoro e operação de som Defski | Vídeo Rodolfo Pimenta e Joana Torgal | Adereços e cartaz Joana Marques e Octávio Mourão | Operação técnica de luz e vídeo Paulo Santos | Tradução de textos Cristina Ribeiro | Produção executiva Celina Gonçalves

 

40 min. M/6 . teatro visual/multimédia

Antonio Tagliarini & Idoia Zabaleta accordion-plus accordion-minus

Royal Dance

21.out. 21h30 . Teatro Municipal da Guarda

 

Tocar o intocável. Partimos de um dos símbolos mais tóxicos e potentes do século passado: as bandeiras das cerimónias oficiais - representação coreográfica, retórica política, celebração desportiva. Queremos deliberadamente jogar com o intercâmbio da representação destes símbolos. Duplicar, distorcer, fazer ressonar os possíveis significados. Certamente que o içar da bandeira ao ritmo do hino nacional, provoca uma certa perturbação afetiva. Verticalidade, Beleza, Solenidade, Grandeza, não estamos por acaso perante uma coreografia sublime? Detrás de uma grande bandeira está sempre: um amanhecer, um céu azul, um grande par de tetas, um triplo salto mortal, uma ejaculação, uma borboleta em busca de celebridade.

 

Ideia e direção Antonio Tagliarini e Idoia Zabaleta | Coreografia e interpretação Antonio Tagliarini e Idoia Zabaleta | Desenho de luz Gaizka Rementeria | Assistência dramatúrgica Esperanza López | Acompanhamento Jaime Conde Salazar e Attilio Scarpellini | Figurinos Ibone Pez | Produção executiva Filipe Viegas e Cristina de la Renta | Residências artísticas AZALA, espacio de creación, Lasierra, País Basco e La Scatola dell’Arte, Roma, Italia | Produção Moare Danza|Planet 3 | Coprodução Dipartimento Cultura dei Paesi Baschi (Spagna), AZALA espacio de creación, Lasierra, País Basco, Associazione Culturale PLANET 3 / Italia e CORE - Coordinamento Danza e Arti Performative del Lazio

António Júlio accordion-plus accordion-minus

200 gr.

26.out. 21h30 . Auditório Teatro das Beiras . Covilhã

 

200gr. não é a forma de eu dizer eu.

É uma forma de exibição mas não assumida.

200gr. é uma forma de dizer um.

Se numa embalagem não existisse senão a designação de peso, nada ficaríamos a saber acerca da natureza do seu conteúdo. Esperaríamos pela sua revelação. Ansiaríamos por abrir a embalagem e conhecer o produto. E poderia ser que o produto do interior fosse outra embalagem com a designação de peso, que nos instigasse a continuar.

200gr. apresenta uma verdade escondida. Muitas vezes revelada, muitas vezes distorcida. É um lugar de existência.

Há uma tela de projeção que separa o público do performer. Nessa tela passa-se tudo o que é possível ver. Ao espetador é vedado o acesso ao que se passa, mas este pode ir adivinhando, pelos sons que ouve, pelo que imagina, pelo que projeta. Na tela, sempre em sombra chinesa, vão passando personagens, conta-se pequenas histórias, ou histórias interrompidas - momentos que se relacionam uns com os outros por todos partirem de um só corpo, do mesmo sempre, que se multiplica, mutila, amplia, recorta ou reinventa. Joga-se com surpresa, num tempo suspenso, sem palavras ditas, nem música tocada. Tudo parte do silêncio e da luz para a obscuridade. É um espetáculo visual, minimal e sensível que deixa ao espetador a possibilidade de lhe acrescentar sons, palavras ou expressão a um rosto sem identidade. O que eu apresento, do que eu falo é de identidade, da minha, de mim. Mas essa identidade é sempre a construção que faz o espetador. Não digo o meu nome, uso-me como um qualquer. E as respostas que tenho tido são de quem ao ver um, vê-se a si próprio em projeção e apõe-lhe as suas próprias histórias. 

 

De António Júlio | Produção MUGATXOAN 2006 / Arteleku Gipuzkoako Foru Aldundia / Fundação de Serralves |  Concepção e interpretação António Júlio | Desenho de estrutura Nuno Brandão | Fotografia Raquel Pereira | Design hicns | Apoio em espetáculo Andrea Moisés

 

30 min. M/12 . performance

Macarena Recuerda Shepherd accordion-plus accordion-minus

That’s the story of my life

29.out. 21h30 . Teatro Municipal da Guarda

 

O meu objetivo é criar um álbum de família sem família. Encontrar os diferentes suportes visuais de uma narração diferente. Valer-me de imagens ou de imagens-texto para desenhar uma tipologia autobiográfica. Uma autobiografia visual, que vai mais além do auto-retrato e que estabelece uma ligação entre o autor, a vida e a descrição desta.

 

Uma performance de Macarena Recuerda Shepherd dedicada a Mr Polissó | Com a colaboração do artista Manu Morales | Vídeo e edição Gorka Bilbao Zootropo Alberto Pastore | Com a participação de Lorea Uresberueta e Mónica del Castillo | Agradecimentos Gerard Casas, Mari Luz Vidal, Amanda Díaz-Ubierna, Cesc Casanovas, Kun, Natalia e Angel | Produção  MiCartera Patrocina | Colaboração Bilbao Escena, Bilbao Arte, L’Antic Teatre e Teatre Lliure

 

50 min. M/12 . teatro de objetos/multimédia

David Marques accordion-plus accordion-minus

Future Plans

30.out. 21h30 . Auditório Teatro das Beiras . Covilhã

 

Future Plans joga-se na relação entre vários olhares, entre a virtualização de um futuro que é apresentado e a percepção que os intérpretes e o público vão construir dele. Neste jogo de visões, dois seres sozinhos, num espaço de pequenas dimensões, ritualizam um processo de mudança entre o presente e o futuro. São propostas legendas, palavras que se conjugam com o movimento para construir leituras sobre a peça. A necessidade de celebrar a mudança como preparação do futuro parece resultar num estado de alheamento da realidade dos intérpretes e de prazer na aleatoriedade. Se a relação entre os corpos em cena poderá parecer votada ao fracasso, as legendas que são projetadas no palco sugerem uma possível narrativa onde se podem ler as coisas que não se vêem.

Concepção David Marques | Criação e interpretação David Marques e Patrícia Milheiro | Sonoplastia Carl Simmonds e Sérgio Cruz | Produção executiva Eira | Apoio em residência Teatro de Ferro | Agradecimentos António Ferraz, Mathieu Jedrazak e Pedro Rocha

 

45 min. M/12 . dança

Quarta Parede & Mestrado Design Multimédia da UBI accordion-plus accordion-minus

Corpo Memória Desperdício - Instalação

20 a 30.out. Covilhã . Auditório Teatro das Beiras . Covilhã

Corpo Memória Desperdício é uma instalação interativa, um teatro de objetos onde fluem micro narrativas que o usuário tem que descobrir para criar as suas próprias histórias, entre um caos de objetos, cabos, palavras - os seus neurónios? - e  mapas. Este projeto foi desenvolvido no Laboratório de Instalações Multimédia Interactivas (LIMI) e surge de uma parceria estabelecida entre a Quarta Parede e o Departamento de Comunicação e Artes da UBI, com o intento de criar uma equipa interdisciplinar que envolva os estudantes do Mestrado em Design Multimédia com artistas e profissionais do design, das artes de palco, da informática e da eletrónica. Do confluir de todas estas áreas emerge a magia da interatividade: as imagens e os sons despoletados por sensores que controlam os corpos, os desperdícios e, talvez, a nossa memória.

Coprodução Quarta Parede | Mestrado Design Multimédia da Universidade da Beira Interior | Concepção Agueda Simó, Rui Sena e Sílvia Ferreira | Desenvolvimento da instalação Agueda Simó, Sílvia Ferreira, 1º ano de Mestrado Multimédia: Bruno Catarino, Catarina Neves, Cátia Saldanha, Filipa Serpa, Filipa Velho, João Pereira, João Proença, Marcelo Teixeira, Marta Ferras, Miguel Estevinha, Nuno Rodrigues, Paulo Fonseca, Ricardo Ramos e Wilson Pinto | Concepção e desenvolvimento de interfaces físicas Agueda Simó, Nuno Sousa e Sílvia Ferreira | Desenvolvimento de sensores Nuno Sousa | Programação multimédia Enrique Hurtado e Rui Brás | Vídeo João Grancho e Sílvia Ferreira | Concepção de cartaz Joana Marques e Octávio Mourão | Produção executiva Celina Gonçalves | Apoio Teatro das Beiras | Agradecimentos Rui Garcia, Administração do Centro Hospitalar da Cova da Beira, Supermercado Canário, ADC - Águas da Covilhã EM, Gráfica da Covilhã e Reciascensão - Reciclagem de Sucatas Lda

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