Festival Y#10

Festival Y#10

Dez anos de Festival Y…

A promover a arte contemporânea na Beira Interior, 

A insistir que o interior tem a capacidade de ser referencial,

A teimar que viver aqui é uma opção e não uma desistência,

A divulgar a região tanto a nível nacional como internacional,

A acreditar que ajudamos a transformar o mapa cultural do país.

Dez anos que nos marcaram profundamente e nos fazem acreditar que a arte não é um objeto descartável ou menor, como muitos hoje querem fazer crer. 

O conhecimento transforma positivamente as regiões, os países e o mundo, por isso continuaremos a dar o melhor do nosso esforço para nos ultrapassarmos em cada ano que passa. 

Foram mais de uma centena os criadores que partilharam este tempo, foram, apesar das dificuldades, muitas as instituições que nos deram o seu apoio, foram milhares os espetadores que nos acompanharam nesta viagem, e é neste conjunto imprescindível de pessoas que nos revemos, que nos sentimos orgulhosos e motivados para o nosso trabalho futuro. Por isso, apesar de todas as adversidades, não desistiremos.

Rui Sena, diretor artístico

Programa

Mariana Tengner Barros accordion-plus accordion-minus

The Trap

10.mai. 21h30 . Cine-Teatro Avenida . Castelo Branco

 

The trap surge no sentido de continuar a trabalhar sobre a temática da identidade do corpo e o poder da sua representação na arte e nos media, explorando a sua relevância nos fenómenos sociais da “fama”, “aparência” e “simulacro”. The trap é uma armadilha, sobre a derradeira armadilha (a sociedade do espetáculo) e as aberrações que propõe, a felicidade que induz, o modo como as pessoas se representam e se mostram, as tensões entre “parecer” e “ser”, o glamour e a sua destruição, o ridículo que emerge nos processos de construção e desconstrução da nossa própria imagem e identidade. Um dos pontos paradigmáticos dessa construção de identidade, passando pelo crivo do “vencer” e “conseguir”, prende-se de fato com o fenómeno sócio-televisivo atualmente hiper-acentuado da “ fama” e do “ ícone”. Interessa-me escavar essas maneiras de apresentar e “enfeitar” o corpo, de o promover com o fim de “ser-sucesso” (seja o que representar para o indivíduo).  Este “ser-sucesso” demonstra ser a manifestação quase patológica da ideologia do progresso/capitalismo. Em derradeira análise, e em tom jocoso, estaremos perante essa longínqua ressaca iluminista, se “ser-sucesso” for o último patamar do progresso.

 

Direção, conceção e interpretação Mariana Tengner Barros | Consultoria artística Mark Tompkins | Assistência à criação António MV e Nuno Miguel | Vídeo António MV e Mariana Tengner Barros | Textos Mariana Tengner Barros e Nuno Miguel | Figurinos António MV | Cenografia Nuno Miguel, António MV e Mariana Tengner Barros | Música original Filipe Lopes | Apoio dramatúrgico João Manuel de Oliveira | Produção EIRA | Direção de produção e Difusão Rui Silveira | Produção executiva Sara Machado | Assessoria administrativa e secretariado Vânia Faria | Coprodução Circular - Festival de Artes Performativas (Vila do Conde, PT) | Projeto financiado por Fundação Calouste Gulbenkian - Apoio à Dança

 

45 min. M/16 . performance

Rui Monteiro accordion-plus accordion-minus

diat0m

19.mai. 21h30 . Auditório Teatro das Beiras . Covilhã

 

O projeto diat0m é a conclusão de vários sistemas elaborados para instalações e performances, aplicados num só espetáculo. Explora a síntese visual e sonora de novos instrumentos digitais alterados pelo artista, com forte expressão corporal e gestual em palco. Recorrendo a uma handsonic10 (hardware midi), o artista cria uma plataforma em que um único indivíduo alcança o controle de todos os acontecimentos sonoros e visuais de um espetáculo de uma forma livre e espontânea usando apenas o gesto, toque e pressão. Esta performance é inspirada em microorganismos unicelulares.

O trabalho de Rui Monteiro é um misto entre arte e funcionalidade. Apaixonado pelo minimalismo, usa a tecnologia como ferramenta de exploração de novos universos comunicativos,  de uma forma muito própria e intuitiva ao mesmo tempo que é contraposto com um sentido de análise muito rigorosa. Um aspeto fundamental da sua obra é a interação entre Arte, Ciência e Tecnologia, traduzida em performances sonoras, instalações interativas e composições audiovisuais. 

Por outro lado, desde 1994 que desenvolve as suas capacidades como compositor e multi-instrumentista, neste momento mais ligado à área do Jazz. Essas características profundamente matemáticas fundem-se hoje com o trabalho digital dando origem a uma obra muito própria e cada vez mais pessoal. Desde 2004 que decidiu abandonar o centro urbano e viver no meio rural na zona da Serra da Estrela, desenvolvendo a sua própria agricultura sustentável e estudos dentro de uma arquitetura funcional, ecológica e energética.

 

40 min. M/6 . performance audiovisual

Sérgio Pelágio accordion-plus accordion-minus

Histórias Magnéticas - Enquanto o meu cabelo crescia

21 e 22.mai. 10h00 e 14h00 . Auditório Teatro das Beiras . Covilhã

 

No âmbito do projeto Histórias Magnéticas de Sérgio Pelágio, Enquanto o meu cabelo crescia, uma história inédita de Isabel Minhós Martins. Histórias Magnéticas é um projeto do guitarrista e compositor Sérgio Pelágio, que consiste na composição de bandas-sonoras para histórias infantis. O resultado é uma história-contada-concerto para guitarra elétrica e voz. Enquanto o meu cabelo crescia é uma história à volta de cabeleireiros, penteados, confidências, aparências, mudanças de visual, sonhos e frustrações relacionados com a imagem.

Pequeno excerto da história:

“É preciso compreender os cabelos” costumava dizer a Mila sempre que aparecia alguém novo no salão.

“Porque só compreendendo os cabelos percebemos o que se passa dentro das cabeças.”

“Por exemplo: falta de brilho indica falta de música: pontas espigadas, necessidade de falar; cabelos embaraçados, problemas com os vizinhos...”

No Salão, havia quem dissesse que a Mila tinha uma grande imaginação.

Mas quem dizia isso eram as clientes acidentais. As outras, todas as outras que não faltavam uma semana, acreditavam em cada palavra sua e eram capazes de a defender com a própria vida.

 

90 min. 6 aos 10 anos . concerto-atelier

Cía. Daniel Abreu accordion-plus accordion-minus

Perro

23.mai. 21h30 . Cine-Teatro Avenida . Castelo Branco

 

Toda a história é contada, no início num palco vazio, no qual, até ao momento só há espaço para uma pessoa, não uma personagem, uma pessoa que conta uma história sobre pessoas. Uma pessoa que, como todas, foi criada a partir de acidentes físicos e emocionais. 

A história começa pelo título, e Perro (cão) parece ser o mais apropriado. Diz-se que o cão é o melhor amigo do homem, mas situando-se entre o domesticado e o selvagem, a confiança e a raiva, o instinto e o “dá-me a pata”. Haverá quem acredite que se fala do animal, do desolador, do pessoal, mas na realidade de quem se fala, de quem se conta será de uma pessoa onde não há lugar a explicações, ou argumentos que à primeira vista o justifiquem. 

Aqui há lugar para o incongruente e levado por impulsos e intuição. O quotidiano é inexplicável. O corpo é o único instrumento visível, ou pelo menos previsível. O que se diz antes ou depois não tem muito sentido, talvez o entretenimento. Volto a enfrentar a cena a solo, mas desta vez menos só, aqui há amigos presentes e ausentes. Que talvez me acompanhem para dar forma ao que vejo das pessoas e ao que me esqueço. A dança, pessoal e ao meio do trabalho, volta a ser a linguagem e o motivo para me sentir algo mais cão.

 

Direção e criação Daniel Abreu| Assistente de direção Igor Calonge | Interpretação Daniel Abreu | Cenografia e iluminação Daniel Abreu | Coordenação técnica Sergio García | Música Max Richter, Piano Magic, Skyphone | Fotos Cía. Daniel Abreu

 

50 min. M/6 . dança

Horman Poster accordion-plus accordion-minus

Pasado perfecto

24.mai. 21h30 . Auditório Teatro das Beiras . Covilhã

 

No âmbito do projeto de internacionalização Do outro lado/Al otro lado “(…) artistas que partem do seu passado, das suas raízes e temáticas sociopolíticas para desenvolver o  seu trabalho (…). Passado perfecto da dupla Horman Poster conta os acontecimentos dos anos 70 com recursos mínimos e desde o coração.” Agus Perez, Berria 2011/11/08

Como recordar o que não viveste? Com imagens? O que podemos recordar? Só imagens? Pasado perfecto é uma composição da memória em preto e branco. Um percurso pelos anos 70 que nos marcaram e, ao mesmo tempo, desconhecemos: como foram esses outros anos de infâncias, de violências, de inconsciência?

 

Criação Horman Poster | Interpretação Matxalen de Pedro e Igor de Quadra | Assistência artística Ana Buitrago | Produção Horman Poster | Iluminação Milakamoon | Fotografia Ander Lauzirika | Vídeo Marcell Erdélyi | Espetáculo apoiado por Gobierno Vasco | Coprodução Festival BAD Apoios Artea, Azala espacio de creación, Centro cívico de Cruces, Ayto. de Plentzia y Muelle 3

 

aprox. 60 min. M/6 . dança

AbztraQt Sir Q accordion-plus accordion-minus

25.mai. 22h00 . Teatro Municipal da Guarda

 

AbztraQt Sir Q nasceu em 2005. Um grupo de músicos cujos destinos se cruzaram no Extremo Oriente, algures entre o ruído da metrópole e o murmúrio da natureza. Andy Newman, o baterista pedante. Egon Crippa, o baixista esquivo. Dichma Rahma, a vocalista inconstante. Peter Shuy, o guitarrista neurótico. Fechados no seu próprio mundo, o Xing Palace Place e o seu magnífico jardim, desconstroem canções e deixam-se embalar pela cacofonia. Inventam-se dialectos, reinventa-se a ortografia, subverte-se a fonética, recusam-se as convenções. Não procuram o óbvio mas acabam por encontrá-lo.

 

Voz Dichma Rahma | Guitarra Peter Shuy | Baixo Egon Crippa | Bateria Andy Newman

 

50 min. M/12 . música

Companhia Paulo Ribeiro accordion-plus accordion-minus

Sábado 2

26.mai. 21h30 . Auditório Teatro das Beiras . Covilhã

 

Este trabalho vive da repressão da energia sexual, e da sua confrontação com a fantasia romântica e religiosa que só encontra “redenção” numa espécie de sacrifício de automutilação. É um trabalho que tem uma carga erótica muito semelhante ao que se vivia, ou pelo menos eu vivi, no nosso passado de católicos, cheios de Nossa Senhora de Fátima e de Infernos meio orgásticos, meio redentores. “Sábado 2” é uma obra essencialmente egoísta; o outro existe para dar relevo às nossas fantasias; compadecemo-nos a pensar que sofremos de amor, mas não passa de imaginação e convenção social. É aí que entra o texto, para dar relevo ao estereótipo das convenções sociais, à banalidade da palavra e até dos sentimentos, quase sempre fugazes e virtuais. Resumindo, nesta peça tentei explorar o turbilhão vazio do indivíduo virado essencialmente para si próprio, tomando a ligação com o divino como espécie de energia redentora.

 

Coreografia Paulo Ribeiro | Música Nuno Rebelo | Figurinos Maria Gonzaga | Luzes Rui Marcelino | Intérpretes (novo elenco) Leonor Keil, Rita Omar, Sandra Rosado, Paulo Ribeiro, Pedro Ramos e Peter Michael Dietz | Coprodução Fundação das Descobertas / CCB | Apoio The British Council, CCA – Audiovisuais, E.T.I.C., Maria Gonzaga e Teatro CineArte

 

70 min. M/12 . dança

Matxalen Bilbao accordion-plus accordion-minus

Sast!

29.mai. 21h30 . Auditório Teatro das Beiras . Covilhã

 

No âmbito do projeto de internacionalização Do outro lado / Al otro lado

sast! (Onomatopeia. Voz que reflete o som que se produz ao introduzir ou roçar um corpo no outro)

“… o peso dos passos, o peso do cabelo,

o peso das pálpebras,

o peso de pestanejar, o peso das unhas cortadas,

o peso da respiração,

o peso das palavras,

é o peso da energia vital”

Giuseppe Penone, Respirar a sombra.

Peça íntima, um solo acompanhado. SAST! indaga no humano através de uma visão abstrata do corpo, sem chegar a uma história, transita pelas vivências gravadas no corpo. Pensar é pesar, o pensamento não sobrevive sem a experiência da força da gravidade. Experimentar o precário equilíbrio e a rugosa fricção entre o corpo e o meio, achando refúgios na fragilidade. Imagens que medeiam entre o espaço interior e o espaço exterior da intérprete.

“… Por um momento, através do movimento, recupero efemeramente a minha estabilidade, só para voltar a perdê-la através do mesmo movimento. Como a árvore, procuro de forma incessante o equilíbrio.”

 

Ideia original, criação, coreografia e interpretação Matxalen Bilbao | Direção Atxarte López de Munaín e Matxalen Bilbao | Música Itziar Madariaga | Vídeo Leyre Llano | Desenho de luz Gabriel Punzo | Desenho e construção de cadeira Ibón Basañez | Fotografia Ricardo Bautista e Aintzane Aranguena | Produção Matxalen Bilbao e Gobierno Vasco | Colaboração CAPa [Centro de Artes Performativas do Algarve] e La FuNdicIOn

 

55 min. M/16 . dança

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